71. CADERNOS DO SILÊNCIO

CADERNO II

TEXTO 4

O RETORNO DO ORDNÁRIO 

Quando a urgência cai
e o silêncio acompanha o movimento,
algo discreto acontece:

o ordinário retorna ao centro.

Nada extraordinário se impõe.
Nada especial precisa ser sustentado.

(Pausa.)


O Fim da Busca por Experiências

Antes, havia uma atenção sutil
voltada ao “estado correto”.

Mesmo sem intenção explícita,
buscava-se:
profundidade
coerência
alinhamento

Aqui, isso se desfaz.

O ordinário não é visto como distração,
mas como expressão suficiente.


Vida Sem Ênfase

As ações comuns —
comer, caminhar, conversar, organizar —
não afastam o campo.

Elas o confirmam.

Não há necessidade de torná-las conscientes.
Elas já acontecem
dentro da presença.

(Pausa mais longa.)


A Igualdade dos Momentos

Momentos claros
e momentos confusos
passam a ter o mesmo peso.

Nenhum é tomado como problema.
Nenhum é tomado como conquista.

Tudo surge
no mesmo campo estável.


Sinal de Integração

O sinal não é serenidade constante.
É normalidade sem conflito.

Quando algo aperta,
é sentido.
Quando algo alivia,
é sentido.

Sem narrativa adicional.


Fechamento do Texto 4

O Caderno II se aprofunda
quando o silêncio deixa de ser percebido
como algo especial.

Ele se mistura ao cotidiano
sem deixar vestígios.

LUZ E VIDA