67. CADERNOS DO SILÊNCIO

CADERNO I 

TEXTO 5

QUANDO NADA FALTA

Há um reconhecimento silencioso
que não chega como insight
nem como resposta.

Ele chega
como ausência de carência.

Nada precisa ser acrescentado
para que o momento esteja completo.

(Pausa.)

O Fim da Medida

Enquanto há busca,
mede-se avanço.

Compara-se antes e depois.
Avalia-se profundidade.
Projeta-se continuidade.

Aqui,
a medida cai.

Não porque algo seja superior,
mas porque não há mais referência externa.

A Simplicidade Irredutível

O que permanece agora
não pode ser refinado.

Qualquer tentativa de “melhorar”
introduz ruído.

Não há estado a preservar.
Não há clareza a sustentar.

Há apenas
o que está sendo vivido,
sem comentário.

(Pausa mais longa.)


A Vida Retoma o Centro

Curiosamente,
é aqui que a vida cotidiana
retorna ao primeiro plano.

Conversas simples.
Tarefas comuns.
Silêncios ordinários.

Nada disso afasta o campo.
Nada disso o ameaça.

O silêncio
não exige cenário especial.


Última Observação deste Caderno

Se um pensamento surgir dizendo
“isso é pouco”
ou
“isso deveria ser mais”,

ele será apenas
mais um pensamento.

E passará.

O campo
não se move com ele.


Fechamento do Texto 5

Fechamento do Caderno I

Este Caderno se encerra
sem conclusão formal.

Não há síntese.
Não há instrução final.

Porque aquilo que permanece
não precisa ser encerrado.

LUZ E VIDA